O padre Massimo Biancalani, conhecido por transformar casas paroquiais e igrejas em abrigos para imigrantes e requerentes de asilo, foi removido do serviço pastoral nas paróquias de Santa Maria Maggiore em Vicofaro e San Niccolò em Ramini, na diocese de Pistoia, Itália. A decisão foi anunciada pelo prefeito do Dicastério para o Clero, You Heung-sik, e marca o fim de uma controvérsia de quase dez anos que, segundo relatos, esvaziou as comunidades paroquiais.

O processo canônico contra Biancalani foi iniciado pelo então bispo de Pistoia, Fausto Tardelli, e confirmado por seu sucessor, Augusto Mascagna. As razões para a remoção incluem a situação de “profunda irregularidade” criada nas paróquias e a negligência das funções pastorais. Fiéis teriam sido forçados a buscar serviços como missas dominicais, confissões e velórios em outras comunidades, conforme relatado por Matteo Pomposi, vereador do partido Fratelli d’Italia e líder de um comitê pela remoção do sacerdote em Ramini.

Acolhimento e Consequências Sociais

A decisão da Santa Sé baseou-se em dois pontos principais: o acolhimento “incontrolável, anárquico e explosivo” promovido por Biancalani e o consequente afastamento dos fiéis, que ficaram sem assistência pastoral. Pomposi descreveu que o padre ia até Florença para buscar pessoas e levá-las para as casas paroquiais, o que teria gerado “grande transtorno social”, incluindo dificuldades de integração, tráfico de entorpecentes, um esfaqueamento e um caso de estupro em Vicofaro.

Um exemplo citado é o de Rita, uma moradora de 80 anos em Vicofaro, que teria presenciado um ponto de tráfico de drogas em frente à sua casa, com imigrantes entrando em seu jardim. Com mais de 200 imigrantes e requerentes de asilo, a “hospitalidade” tornou-se incontrolável, e há relatos de que os imigrantes pagavam por vagas para dormir na igreja, que teria se transformado em um acampamento permanente, com a máfia nigeriana assumindo pontos de tráfico.

Negligência Pastoral e Repercussões nas Comunidades

Além dos problemas sociais, a negligência das funções religiosas e pastorais foi um fator determinante. Em Vicofaro, a frequência às missas teria caído drasticamente, com apenas cinco ou seis pessoas presentes. Em Ramini, atividades pastorais como crismas, primeiras comunhões e até o coral paroquial foram cancelados, e a comunidade se transferiu para a paróquia vizinha de San Pierino.

Enquanto em Vicofaro o bispo já presidiu uma missa com o novo pároco para a retomada das atividades, em Ramini a situação ainda demanda tempo para normalização. O padre Biancalani permanece na casa paroquial com um número de imigrantes que varia entre 40 e mais de sessenta, e sua saída é esperada em breve. A possibilidade de intervenção policial para remover os ocupantes, como já ocorreu em Vicofaro, não é descartada.

Contexto Político e Declarações do Padre

A história de Biancalani foi acompanhada por um intenso debate político, com o partido Lega e o Fratelli d’Italia na linha de frente na oposição às suas ações. Por outro lado, o padre recebeu apoio da esquerda que governa a Toscana, tendo sido convidado a falar no Encontro dos Direitos Humanos em Florença em 2018. Em 2020, o Papa Francisco teria enviado a ele 20 mil euros através do então esmoler, Cardeal Konrad Krajewski, para seu centro de acolhimento, e em 2018 o Papa já o havia incentivado a seguir com sua ideia de acolhimento.

Biancalani declarou à La Presse que a decisão do Vaticano é um problema para as comunidades que acolhem, seguindo uma “ideia pastoral do Papa Francisco”, e que a medida “não ajuda” e os coloca “em dificuldade”. Ele tem um prazo de sessenta dias para apresentar um recurso ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica ou aceitar um cargo no Departamento Missionário da diocese, que já lhe havia sido proposto e recusado anteriormente.

Os eventos deixam duas comunidades afetadas e divididas, com a necessidade de uma reconstrução pastoral por parte do bispo e dos novos párocos.

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