Paraguai se consolida como polo de atração para empresas brasileiras
Empresas brasileiras buscam o Paraguai por impostos e custos de produção menores, impulsionadas por possíveis mudanças trabalhistas no Brasil.
Sumário do artigo
A economia paraguaia tem se destacado como um destino atrativo para empresas brasileiras, impulsionada por um ambiente fiscal simplificado e custos de produção mais competitivos. A tendência ganha força, com grandes nomes do varejo e da indústria projetando uma mudança para o país vizinho até 2026, em um movimento que pode ser acelerado pela possível extinção da escala de trabalho 6x1 no Brasil.
O atrativo sistema tributário 10-10-10
Um dos pilares dessa atratividade é o modelo fiscal conhecido como 10-10-10. Ele estabelece uma alíquota máxima de 10% para o imposto de renda, tanto para empresas quanto para pessoas físicas, e o mesmo teto para o Imposto sobre o Consumo (IVA). Essa estrutura simplificada facilita a compreensão das obrigações fiscais para os empresários, contrastando com a complexidade e os custos associados ao sistema tributário brasileiro.
A Lei de Maquila e o comércio exterior
Outro fator relevante é a Lei de Maquila, que permite a importação de máquinas e matérias-primas sem a incidência de impostos de importação, desde que o produto final seja destinado à exportação. Ao exportar a mercadoria, as empresas pagam um tributo único de 1% sobre o valor da nota. Atualmente, cerca de 65% da produção sob este regime é exportada para o mercado brasileiro, evidenciando a vocação da lei para impulsionar o comércio regional.
Vantagens trabalhistas e custos de produção
As leis trabalhistas no Paraguai são consideradas mais flexíveis. Enquanto no Brasil se discute a redução da jornada para 40 horas semanais, a legislação paraguaia prevê até 48 horas de trabalho por semana. Além disso, os encargos e a burocracia relacionados à contratação são menores. A combinação de impostos baixos e energia elétrica a preços competitivos pode resultar em uma redução de até 40% nos custos de produção em comparação com o Brasil.
Não tributação de renda estrangeira
O Paraguai não tributa a renda de origem estrangeira, um diferencial significativo para nômades digitais e exportadores de serviços. Essa política significa que pagamentos recebidos de clientes em outros países não são taxados pelo governo paraguaio, atraindo não apenas grandes indústrias, mas também empreendedores individuais e trabalhadores remotos brasileiros.
Estabilidade e segurança para investimentos
A estabilidade do modelo econômico paraguaio é vista como uma política de Estado, garantindo previsibilidade para investimentos de longo prazo. O desenho tributário tem se mantido estável por anos. Recentemente, o Paraguai alcançou a melhor nota da América Latina em liberdade econômica no quesito carga tributária, com impostos que representam aproximadamente 14% do PIB, em contraste com os cerca de 30% do PIB no Brasil.
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