Enhanced Games: Competição atlética em Las Vegas permite e incentiva o uso de doping
Evento internacional financiado por bilionários autoriza o uso de substâncias dopantes, buscando quebrar recordes e desafiar limites.
Sumário do artigo
No último domingo, dia 24 de março, Las Vegas sediou os Enhanced Games, uma competição atlética internacional que se diferencia por autorizar e até incentivar o uso de substâncias dopantes. O evento, que tem o apoio financeiro de bilionários, propõe-se a testar os limites do corpo humano e estabelecer novos recordes mundiais com o auxílio de recursos químicos.
A proposta dos Enhanced Games
A ideia central por trás dos Enhanced Games é oferecer uma alternativa aos Jogos Olímpicos, onde o aprimoramento de desempenho por meio de substâncias não é proibido, mas sim supervisionado. Os organizadores do evento defendem o que chamam de ‘tecno-otimismo’, uma crença de que a ciência e a medicina devem ser empregadas para expandir o potencial humano para além de suas capacidades naturais, em um movimento associado ao transumanismo. Eles argumentam que, ao permitir o doping de forma aberta, a competição ganha em transparência em comparação com torneios oficiais, onde atletas podem recorrer ao doping de maneira clandestina.
Recordes e participação
Mesmo com o investimento e a liberação de substâncias, a primeira edição dos Enhanced Games registrou apenas um recorde mundial superado. Importante ressaltar que essa marca não é oficialmente reconhecida por federações esportivas. O nadador grego Kristian Gkolomeev completou os 50 metros nado livre em 20,81 segundos, um tempo sete centésimos inferior ao recorde mundial atual. Cerca de 40 atletas participaram do evento, competindo em modalidades como natação, levantamento de peso e provas de velocidade.
Críticas de organizações esportivas
O Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Agência Mundial Antidoping (WADA) manifestaram forte condenação à iniciativa. Ambos os órgãos alertam para os sérios riscos à saúde que o uso de substâncias experimentais, como os SARMs (moduladores que mimetizam a testosterona), pode causar aos atletas. Além disso, COI e WADA apontam que o evento pode fomentar uma ‘cultura do doping’ perigosa entre jovens que frequentam academias e seguem influenciadores que promovem tais produtos sem a devida aprovação médica.
Comparação com a Fórmula 1
Christian Angermayer, um dos envolvidos na organização, utiliza a Fórmula 1 como uma analogia para explicar que o talento humano continua sendo crucial, mas a tecnologia age como um diferencial. Ele defende a ideia de que, assim como as inovações desenvolvidas nas pistas de corrida eventualmente chegam aos carros de passeio, a pesquisa médica realizada para otimizar atletas nos Enhanced Games poderia contribuir para o desenvolvimento de medicamentos e tratamentos para a população em geral. O foco, segundo ele, seria não apenas curar doenças, mas também aprimorar a condição humana de forma mais ampla.
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