A Europa observa um rápido encolhimento de sua população, impulsionado por uma acentuada queda na natalidade. Dados recentes de nações como Itália, França, Alemanha e Espanha indicam que, na ausência de medidas eficazes, o continente pode enfrentar um empobrecimento econômico e social devido à diminuição do capital humano jovem.

Cenário na Itália

A situação na Itália é vista com preocupação, com esforços pontuais apresentando pouco impacto. Segundo um artigo de Luca Volontè, do La Nuova Bussola Quotidiana, o país registrou apenas 83 mil nascimentos até março de 2026. Este número representa uma redução de 2,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, sinalizando um declínio contínuo que acelera o envelhecimento da sociedade italiana.

Projeções para a França

As projeções para a França indicam uma população de aproximadamente 65,9 milhões de habitantes em 2070, o que representa uma diminuição de 3,2 milhões em relação a 2026. O crescimento natural já é negativo, e a partir de 2037, a imigração não deverá ser suficiente para compensar o número de óbitos. Espera-se também uma redução de quase 9 milhões de pessoas com menos de 45 anos, enquanto o contingente de idosos acima de 65 anos deve crescer significativamente.

O papel da imigração na Espanha

Na Espanha, a imigração contribui para inflar os números totais, podendo levar o país a 53,8 milhões de habitantes. Contudo, essa dinâmica mascara uma queda real da população nativa. Estima-se que, daqui a 50 anos, os nascidos na Espanha representarão apenas 59% da população. Sem um fluxo migratório consistente e robusto, a população espanhola poderia diminuir para cerca de 31 milhões de pessoas, devido ao excesso de óbitos em relação aos nascimentos.

Dados da Alemanha

A Alemanha registrou em 2025 sua primeira queda populacional anual desde 2020, com uma diminuição de cerca de 110 mil pessoas. A taxa de natalidade atingiu o menor nível desde o pós-guerra (1946), com 1,35 filho por mulher. Para que uma população se mantenha estável sem depender de imigrantes, o índice mínimo seria de 2,1 filhos por mulher. No último ano, o número de óbitos de idosos superou os nascimentos em 352 mil casos.

Possíveis soluções

Especialistas sugerem que para reverter este cenário, é fundamental focar em quatro pilares estruturais de apoio às famílias: Custo, Cuidado, Conciliação e Cultura. Isso implica em baratear o custo de vida para quem tem filhos, fortalecer as redes de cuidado (como creches), permitir a conciliação entre trabalho e vida familiar para os pais e promover uma mudança cultural que valorize a família. Sem essas reformas, a Europa pode continuar perdendo força econômica e relevância democrática.

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