Indaiatuba, 9 de Setembro de 2010.

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31/05/2010 - 20h06

TAMANHO DA FONTE

O câncer de mama em cadelas

Adriano Mayoral

O tumor de mama em cadelas é, em diversos aspectos, muito semelhante ao da mulher. Muitas vezes tem os mesmos agentes etiológicos, ou seja, as mesmas causas de desenvolvimento como, por exemplo, fatores genéticos, dieta rica em gordura e uso de medicamentos hormonais como os inibidores de cio – o famoso “anticoncepcional”. Outro fator importante para aparecimento de tumores de mamas em cadelas é a pseudociese, ou seja, o famoso “cio psicológico”, que por desajustes hormonais, as mamas ficam cheias de leite.

A maior incidência de câncer está nos animais com mais de sete anos de idade.

Ao contrário do que muitos imaginam, a neoplasia, (nome correto do tumor maligno), por si só,  não causa dor, não há febre e o animal não reclama. O paciente começa a sentir dor quando o tumor inflama ou cresce tanto que passa a comprimir terminações nervosas. Nesse caso a dor é secundária, por isso chamamos de tumores silenciosos.  E se o proprietário não estiver atento, pode não perceber o nódulo nas mamas e deixar com que este tumor cresça e venha causar maiores problemas – portanto, basta acarinhar seu animal para perceber. No consultório percebemos que 90% dos casos diagnosticados principalmente no inicio é de donos que vão fazer carinho na barriga dos seus bichinhos e percebem os nódulos, ou “carocinhos” como costumam dizer e ao encontrar aumento de volume nas mamas, mesmo que pequeno quanto um grão de ervilha, é razão para uma visita imediata ao veterinário.

Embora seja praticamente impossível diferenciar um nódulo mamário benigno de um maligno, visualmente ou por palpação, em geral a presença de massa de crescimento rápido, com superfície irregular e úlcera, é indicativa de tumor maligno.

Outro grande problema é, como em nós os humanos, a metástase – nome dado quanto este tumor se espalha para outros órgãos. Por este motivo quanto diagnosticado um tumor de mama é importante não só fazermos o exame do nódulo como também uma busca preventiva, principalmente nos pulmões.

Sabe-se que em  animais castrados antes do primeiro cio, ocorre uma diminuição considerada  de casos e quando mais tempo se passa sem a castração maior a incidência de casos.

O tratamento indicado, após os devidos exames e cuidados é a cirurgia extrativa das glândulas mamárias, que dependendo do tumor, tamanho e localização, podemos retirar uma ou todas as  mamas.

A eficiência no tratamento é tanto maior quanto menor for a evolução do tumor, ou seja, quanto menor ele for. Há também algumas drogas quimioterápicas que na prática diária se torna muitas vezes inviáveis, pelo seu custo, efeitos colaterais e baixa eficiência.

Consideremos que a atenção com seu animal e o carinho em sua barriga é a primeira forma de diagnóstico eficaz. A castração é altamente preventiva. E o amor e a  disponibilidade do dono é o passo decisivo para a cura.

Adriano Mayoral é veterinário